Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

CRP promove reconhecimentos de filiação em BH

Ação do Dia dos Pais reforçou o direito à identidade e ao pertencimento familiar


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Os atendimentos foram realizados pelo juiz-adjunto do Cejusc e responsável pelo Centro de Reconhecimento de Paternidade, Juliano Carneiro Veiga, com a equipe do CRP (Crédito: Raquel Medeiros / TJMG)

O Centro de Reconhecimento de Paternidade (CRP) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) realizou, em 7/8, um atendimento especial em Belo Horizonte com foco no Dia dos Pais. Ao todo, foram 12 atendimentos, que resultaram em 12 reconhecimentos de filiação – 11 paternos e um materno.

O juiz-adjunto do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Belo Horizonte e presidente do Fórum Nacional da Mediação e Conciliação (Fonamec), Juliano Carneiro Veiga, destacou que o reconhecimento de filiação vai além da formalização do nome nos documentos:

“Mais do que um registro em papel, trata-se da construção da identidade da pessoa, do fortalecimento dos vínculos familiares e do acesso a direitos. Esse reconhecimento pode ser feito em qualquer fase da vida, inclusive após a morte do pai ou da mãe. Hoje, a legislação também permite o reconhecimento da multiparentalidade, quando coexistem, por exemplo, um pai biológico e um pai socioafetivo.”

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Nelson Otaviano veio do Rio de Janeiro especialmente para o atendimento da filha Michele (Crédito: Raquel Medeiros / TJMG)

Shirlei Domingos foi uma das atendidas e, após quatro décadas, conseguiu incluir o nome da mãe, Maria de Lourdes Duarte Silva, em seus documentos oficiais. Quando Shirlei nasceu, a mãe ainda era legalmente casada com o primeiro marido, embora estivesse separada de fato e vivendo com o pai de Shirlei. Em razão da legislação vigente à época, apenas o pai pôde efetuar o registro civil.

“É um alívio. Parece algo pequeno, mas tem um significado enorme. É a questão do pertencimento, da minha história. Sou filha da Lourdinha, mas isso nunca esteve documentado. Agora meus filhos também terão oficialmente o reconhecimento da avó.”

Outra história foi a de Michele Monteiro, que realizou o reconhecimento biológico com o pai, Nelson Otaviano de Oliveira Filho, vindo do Rio de Janeiro especialmente para o atendimento:

“Meus pais se separaram quando eu nasci. Fiquei com a minha mãe e retomei o contato com ele aos dez anos, quando conheci minha família paterna no Rio. Tentamos fazer o registro antes, mas não foi possível por questões financeiras. Soube do CRP por anúncios em ônibus e no rádio, reuni os documentos e pedi que meu pai viesse a Belo Horizonte.”

Emocionado, Nelson definiu o momento como “um presente de Dia dos Pais”.

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Para Blenda o registro oficializa uma história que já existia em sua vida (Crédito: Raquel Medeiros / TJMG)

O atendimento também contemplou registros socioafetivos. Blenda Gabrielly, de 18 anos, compareceu ao CRP acompanhada do pai socioafetivo, Marco Antônio:

“Conheci a mãe dela quando ela ainda estava grávida. Desde o nascimento, sempre estive presente. Quando começou a falar, ouviu uma prima chamar o tio de ‘papai’ e repetiu a palavra para mim. Foi uma alegria imensa.”

Blenda ressaltou a importância da formalização do vínculo:

“Nunca conheci outro pai. Esse registro oficializa uma história que já existia na nossa vida.”

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Adilson Felipe fez o reconhecimento socioafetivo da filha Joice Roberta (Crédito: Raquel Medeiros / TJMG)

O militar da reserva Adilson Felipe de Albuquerque também formalizou o vínculo socioafetivo com a filha Joice Roberta:

“Vi a Joice pela primeira vez quando ela tinha três meses; hoje ela tem 42 anos. Criei minha filha durante toda a vida. Mesmo após a separação da mãe dela, seguimos juntos. Hoje ela tem uma filha, que é minha neta. Esse amor atravessou gerações.”

Joice destacou o significado da escolha afetiva:

“Meu pai me escolheu. Ele poderia ter seguido outro caminho, mas decidiu continuar cuidando de mim mesmo depois do fim do relacionamento com minha mãe.”

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Sérgio Alberto realizou o registro da filha biológica Rafaela Carvalho (Crédito: Raquel Medeiros / TJMG)

Já Rafaela Carvalho, de 28 anos, procurou o CRP para realizar o reconhecimento biológico do pai, Sérgio Alberto Barbosa. Servidora de cartório, ela disse que imaginava um procedimento mais complexo.

“Vi um anúncio do CRP, fiz a inscrição e depois recebi o contato para o atendimento. Meus irmãos já tinham o registro do meu pai, e eu não. Sou a caçula, meu pai não pôde estar presente no dia do registro e acabou não entrando o nome dele no documento. Sofri bullying na escola por não ter o nome do meu pai. Hoje percebo que a regularização atualmente é muito mais simples do que eu imaginava”, afirmou.

O CRP integra a política do TJMG voltada para a garantia do direito à identidade, ao fortalecimento dos vínculos familiares e à promoção da cidadania por meio da regularização da filiação biológica e socioafetiva. Saiba mais sobre o programa Paternidade para Todos.

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