Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

"Conhecendo o Judiciário" promove edição sobre direitos de povos indígenas

Estudantes participaram do programa nesta quarta-feira (28/10)


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“A mensagem que deixo aos estudantes é a importância da resistência e da persistência. É graças a essa luta que estamos aqui hoje, compartilhando os saberes do nosso povo, da nossa cultura e da nossa ancestralidade.”

A fala da artesã e liderança indígena Thayna Pataxó marcou a edição do programa “Conhecendo o Judiciário” nesta quarta-feira (28/10). Ela conversou com 180 estudantes de Ensino Fundamental e Médio da Escola Estadual Professor Caetano Azeredo, no Barro Preto, em Belo Horizonte.

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180 estudantes de Ensino Fundamental e Médio da Escola Estadual Professor Caetano Azeredo participaram do "Conhecendo o Judiciário" (Crédito: Juarez Rodrigues/ TJMG)

A atividade foi realizada nos turnos da manhã e da tarde e contou ainda com a participação do juiz auxiliar da 3ª Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Matheus Moura Matias Miranda, que também é juiz adjunto do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para demandas de Direito relativas a indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais da Justiça de 1º e 2º Graus (Cejusc Povos e Comunidades Tradicionais).

A iniciativa integrou a edição especial “Juízes Vão às Escolas”, do projeto “Justiça e Povos Indígenas: Terra, Memória e Direito”, que busca ampliar o conhecimento sobre os direitos dos povos originários e promover o diálogo entre diferentes culturas.

O projeto “Conhecendo o Judiciário” é realizado pela Diretoria Executiva de Comunicação (Dircom) do TJMG, por meio da Coordenação de Relações Públicas (Cerp).

Aproximação com a sociedade

O juiz Matheus Moura Matias Miranda destacou que levar o Judiciário às escolas proporciona aos jovens a oportunidade de conhecer o funcionamento da Justiça e os direitos dos povos indígenas.

“Os projetos que levam os juízes às escolas permitem discutir questões relacionadas à Justiça com pessoas que, em breve, farão escolhas profissionais e poderão ingressar na universidade. Esse conhecimento contribui para que compreendam melhor o papel de juízes e juízas. Neste encontro, também abordamos os direitos dos povos indígenas e a importância de respeitar as diferenças culturais”.

O magistrado ressaltou que o Judiciário pode contribuir para aproximar diferentes realidades e ampliar o conhecimento sobre a diversidade cultural brasileira.

“Somos um país com muita diversidade cultural, mas ainda nos conhecemos muito pouco. O que fizemos hoje foi proporcionar um encontro entre o mundo dos povos indígenas e o mundo dos não indígenas. É uma oportunidade de nos conhecermos melhor como população e de transformar a curiosidade em crescimento cultural e em novas experiências de vida”.
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O juiz Matheus Miranda e a liderança indígena Thayna Pataxó conversaram com os estudantes (Crédito: Juarez Rodrigues/ TJMG)

Resistência e ancestralidade

Para Thayna Pataxó, o interesse dos estudantes em conhecer as realidades dos povos indígenas torna encontros como esse especialmente significativos.

“No contexto urbano, essa conexão com os alunos, as perguntas e a vontade de saber mais são muito importantes para nós. É muito gratificante ver o interesse deles pela nossa comunidade e pelo nosso território. Saímos satisfeitos com essa troca de conhecimentos”.

A liderança indígena também falou sobre a resistência de seu povo diante do preconceito e das desigualdades. Ela lembrou o ataque ocorrido na aldeia nos anos 1950, conhecido como Fogo de 51, e ressaltou a luta das gerações anteriores para a preservação da cultura e da memória indígenas.

Conhecimento que inspira

O estudante Taylor Henrique da Silva, de 14 anos, aluno do 8º ano do Ensino Fundamental, destacou o aprendizado proporcionado pelo encontro.

“Achei muito legal eles compartilharem o conhecimento com a gente. Aprendemos muita coisa e, se pudesse, visitaria uma aldeia indígena. A palestra abre um pouco a nossa cabeça. O juiz também contou coisas que sabe e estudou, e isso pode inspirar algumas pessoas a seguirem essa profissão”.

O diretor da escola, Vítor Lucas Maciel Oliveira, ressaltou que a iniciativa contribui para aproximar os estudantes das instituições públicas e ampliar a compreensão sobre o papel da Justiça na sociedade.

“É importante promover essa aproximação, porque muitas vezes as pessoas só têm contato com a Justiça quando enfrentam algum problema. Oferecer essa oportunidade de contato com o Tribunal é fundamental para a formação deles como cidadãos”.

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