Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Voluntariado para um mundo melhor

Servidoras e magistrada do TJMG dedicam seu tempo ao trabalho voluntário, conheça suas histórias


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Beatriz, Marli, Vânia e Vilma. O que elas têm em comum? As quatro personagens desta matéria, além de servidoras e magistrada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), na ativa ou aposentadas, atuam em prol de pessoas em situação de vulnerabilidade em um País de contrastes sociais.

Vânia Cláudia Ferreira de Rezende não pode viver sem crianças e cuida de um abrigo que acolhe pequenos de 0 a 6 anos; Vilma Soares de Lima teve a ideia de cuidar de pessoas idosas marginalizadas quando sua mãe precisou de cuidados especiais na velhice; Beatriz Meireles Brandão recebeu o convite de uma amiga para distribuir marmitas na região Central de Belo Horizonte e nunca mais deixou o voluntariado, seu “programa de sábado”; e Marli Braga Andrade assumiu o desafio de administrar uma instituição que tem capacidade para atender quase 400 crianças e adolescentes de 0 a 15 anos.

Vamos falar de voluntariado, prática que mobiliza milhões de pessoas ao redor do mundo. Somente no Brasil são mais de 7 milhões de voluntários, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conheça o trabalho voluntário dessas mulheres.

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Vânia Cláudia Ferreira de Rezende é presidente do TJ Criança Abriga (Crédito: Soraia Costa / TJMG)

Bebês e crianças inspiram Vânia

A atual presidente do TJ Criança Abriga, Vânia Rezende, está ocupando o cargo pela 2ª vez – a primeira foi de 2012 a 2016. Ela diz precisar das crianças do abrigo, “pois são elas que alimentam a sua alma”.

O TJ Criança Abriga surgiu a partir de iniciativa de 35 funcionários do TJMG, tendo à frente o dentista Itamar de Carvalho Ribeiro, que presidiu a instituição por diversos mandatos. Outros voluntários estão sempre apoiando o trabalho do abrigo, algumas pessoas doam fraldas e leite específico para bebês, outras apadrinham as crianças e as levam para passear em fins de semana.

Toda ação voluntária é muito bem recebida. No dia em que as fotos desta matéria estavam sendo feitas, um Papai Noel voluntário apareceu e fez a alegria das crianças, presenteando-as com brinquedos.

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A casa tem capacidade para receber 12 bebês e crianças de 0 a 6 anos, em processo de destituição do poder familiar e/ou de adoção (Crédito: Soraia Costa / TJMG)

A casa, que começou a funcionar em 2002, tem capacidade para receber 12 bebês e crianças de 0 a 6 anos, em processo de destituição do poder familiar e/ou de adoção. O imóvel é cedido pelo centro espírita que existe ao lado – um membro da instituição religiosa impulsionou a construção e a sessão do espaço para o cuidado com as crianças vulneráveis.

Kardecista por convicção, Vânia Rezende gosta de trabalhar para quem precisa, seguindo o princípio do amor e da caridade que orientam a doutrina espírita.

“O TJ Criança Abriga é meu mundo, gosto muito de estar com as crianças e os bebês. São muito necessitados, não têm pai nem mãe; além da comida, precisam de amor, o 'alimento da alma'. É com essa intenção que trabalhamos. Não temos crianças abandonadas, temos crianças. Nós somos a família delas enquanto estão aqui na casa. Isso me faz muito feliz. Sem elas, minha vida ficaria meio vazia.”

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Beatriz Meireles Brandão atua junto à população em situação de rua (Crédito: Soraia Costa / TJMG)

Beatriz conectada à população em situação de rua

Conversar com pessoas que estão em situação de rua é a motivação de Beatriz Meireles Brandão. Ela diz que se interessa pelas histórias dessas pessoas, lhes dedica atenção e faz o possível para melhorar a situação delas.

Quando atuava na 1ª Vice-Presidência do TJMG, na gestão do desembargador Alberto Vilas Boas (2022-2024), foi convidada para integrar o Comitê Multinível, Multissetorial e Interinstitucional para a Promoção de Políticas Públicas Judiciais de Atenção às Pessoas em Situação de Rua e suas Interseccionalidades (Comitê Pop Rua/Jus) do TJMG, por já ter experiência com essa população.

Na Comissão de Apoio às Mulheres com Trajetória de Rua do Pop Rua/Jus, Beatriz Brandão se esforça para atender às demandas específicas, como o enfrentamento da violência, a menstruação, a gravidez, a necessidade de exames específicos na área da saúde, até vaidade e autoestima.

Seu primeiro trabalho na Comissão, em 2023, segundo ela, o grande desafio foi organizar o 1º Mutirão Pop Rua/Jus voltado somente para mulheres, no mês de março – estará na 4ª edição em 2026.

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Os mutirões do Pop Rua/Jus oferecem diversos serviços, incluindo atividades culturais (Crédito: Cecília Pederzoli / TJMG)

O mutirão, antes denominado “Rua de Direitos”, já era realizado para todos em situação de rua, na Capital e em algumas comarcas do interior. O objetivo, em princípio, era favorecer o acesso dessa população à emissão de documentos e informações e/ou resolução de processos na Justiça, com atuação do Poder Judiciário, da Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e de Cartórios de Registro Civil.

A iniciativa se ampliou e, atualmente, também são oferecidos serviços de saúde como atendimento médico e dentário, atividade física, serviços de beleza, doação de alimentos e roupas, até vacinação de pets – considerados apoio e companhia saudável para pessoas em situação de rua.

Todos esses serviços são oferecidos pelas parcerias conquistadas com diversas instituições, como o Serviço Social Autônomo (Servas), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam) e Carreta da Mamografia.

“Desenvolvemos o mutirão que é um momento maravilhoso, uma energia boa, um coletivo de voluntários querendo fazer o bem; eu fico emocionada”, revela Beatriz Brandão.

Ela diz que sua vontade de fazer algo pelo próximo aumentou durante a pandemia, quando estava passando por problema em sua vida pessoal. Quando entregou as primeiras marmitas às pessoas em situação de rua, de acordo com Beatriz Brandão, acabou “descobrindo sua vocação”.

“Senti um chamado ao perceber que meus problemas não eram nada se comparados à vida daquelas pessoas. Há cinco anos, participo dessa distribuição de marmitas com um grupo de pessoas dispostas a contribuir.”

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Vilma Soares de Lima é servidora aposentada e integra o NAP do Sinjus-MG (Crédito: Soraia Costa / TJMG)

Ancianato Bem Viver: o sonho de Vilma

Vilma Soares de Lima é servidora aposentada do TJMG e integrante do Núcleo de Aposentados e Pensionistas (NAP) do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (Sinjus-MG), do qual participam muitos voluntários em ações sociais.

Ela já investiu toda a sua reserva financeira e grande parte do dinheiro de sua aposentadoria para construir o Ancianato Bem Viver.

Há quase 20 anos, Vilma Lima comprou quatro lotes contíguos e, no fim de 2025, terminou a obra de uma casa com mais de 700 m², para abrigar 20 idosos em situação de vulnerabilidade social.

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Ancianato Bem Viver tem mais de 700 m² e poderá abrigar 20 idosos em situação de vulnerabilidade social (Crédito: Soraia Costa / TJMG)

A construção está pronta, esperando a emissão do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) para entrar em funcionamento.

O objetivo é acolher 10 homens e 10 mulheres a partir de 2026. Para isso, a servidora aposentada cuidou de cada detalhe: a casa tem rampas de acesso, quartos feminino e masculino, quarto para cuidadores, cozinha industrial, lavanderia, espaço de lazer e área verde para o bem-estar dos futuros moradores.

“Sempre quis deixar um legado, sou uma das fundadoras do TJ Criança Abriga. Depois que minha mãe teve AVC e ficou acamada, vi o quanto estava bem cuidada e ficava pensando nos idosos mais vulneráveis. Sei que é um desafio cuidar de idosos, mas o fácil não precisa de nós, o difícil é que nos demanda.”

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A juíza aposentada Marli Braga Andrade é voluntária no Nutris/NAC (Crédito: Soraia Costa / TJMG)

Marli dedica seu tempo para um mundo melhor

O Núcleo de Trabalho e Integração Social (Nutris) foi fundado em 1984 com o objetivo de apoiar mães trabalhadoras de um bairro periférico de Belo Horizonte. O esforço inicial foi do desembargador do TJMG José Oswaldo de Oliveira Leite e sua esposa Lucinda Alvarez.

O Nutris começou funcionando em duas salas e, atualmente, ocupa um espaço amplo para atender bebês e crianças de 0 a 6 anos, somando 210 atendidos.

Outra iniciativa dos associados ao Nutris foi a fundação do Núcleo de Arte e Cultura (NAC), que trabalha com crianças e adolescentes de 7 a 15 anos, no contraturno da escola.

O NAC conta com 180 matriculados, que frequentam aulas de circo, dança, artes, informática, auxílio para-casa, reforço escolar, educação física, muay thai, taekwondo, percussão e teatro.

Na época da sua fundação, toda a verba de manutenção do Nutris era proveniente de doação de magistrados e servidores. Com o crescimento da casa, foi firmada uma parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), que assumiu as despesas de alimentação dos assistidos e a folha de pagamento dos funcionários, que, atualmente, são cerca de 40.

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O Núcleo de Arte e Cultura trabalha com crianças e adolescentes de 7 a 15 anos (Crédito: Soraia Costa / TJMG)

Marli Braga Andrade foi servidora e juíza do TJMG e, após sua aposentadoria, assumiu a presidência do Nutris. Para ela, o voluntariado é um esforço longo e constante para desenvolver uma equipe envolvida e sedimentar um trabalho de qualidade:

“Todos que vêm aqui ficam encantados. Desde que assumi a presidência, estou me esforçando, junto com os demais membros da diretoria, para manter e melhorar ainda mais o atendimento. Fornecemos às crianças todo o apoio necessário para se desenvolverem.”

Para Marli Andrade, a música é fundamental, pois favorece o desenvolvimento e a sensibilidade. O grupo de crianças pequenas possui professor para ajudá-los na introdução à musicalização. Já as crianças maiores e os adolescentes têm aula de música para desenvolverem seus talentos.

“Quanto aos adolescentes, contribuímos para que eles tenham autonomia para construírem seu futuro de forma digna, tanto nos campos social e emocional como no profissional. Atuo voluntariamente, dando seguimento a esse trabalho, porque quero dar minha contribuição para um mundo melhor.”

Quem tiver interesse em doar para essas iniciativas, ou participar como voluntário, deve entrar em contato com:

  • TJ Criança Abriga: (31) 3461-5868
     
  • Nutris/NAC: (31) 3485-6035
     
  • Núcleo do Voluntariado do TJMG: (31) 3299-4867
     

Diretoria Executiva de Comunicação – Dircom
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Veja outras imagens das iniciativas de voluntariado: