A palavra “esperança” se fez presente de forma multiplicadora na tarde desta segunda-feira (21/9), no Auditório da Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ) de Minas Gerais, no Centro de Belo Horizonte, com a edição especial do “Cineclube TJ” voltada para pessoas em situação de rua da Capital.
A exibição do filme “Uma Vida de Esperança” (Ordinary Angels, de 2024), dirigido por Jon Gunn, que recebeu dezenas de espectadores, foi uma iniciativa do Núcleo de Voluntariado (NV) e da Superintendência de Projetos Artísticos e Culturais.
A obra apresentou o exemplo de superação da protagonista, Sharon Stevens (Hilary Swank), uma cabeleireira determinada, persistente e de forte personalidade, mas que convive com o pesadelo do alcoolismo. Nesse cenário, ela encontrou forças para, além de superar a dependência, ajudar a pequena Michelle Schmitt (Emily Mitchell), uma garota de apenas 5 anos, gravemente doente e que precisa de um transplante de fígado.
Participaram da sessão especial pessoas em situação de rua assistidas por três instituições filantrópicas: o Canto da Rua, o Instituto de Apoio e Orientação a Pessoas em Situação de Rua (Inaper) e a Unidade de Acolhimento Institucional para Mulheres.
Entre risos e lágrimas durante a exibição do filme, muita pipoca doce e salgada foi distribuída para alegrar o dia de todos que praticamente lotaram o auditório da CGJ.
Inclusão
Para a superintendente do NV/TJMG e da Coordenadoria do Voluntariado Transformador e da Política Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade Social Extrema (Covve) e coordenadora do Comitê Local da Política de Atenção a Pessoas em Situação de Rua do Poder Judiciário (Comitê PopRuaJud Minas Gerais), desembargadora Maria Luíza de Marilac Alvarenga Araújo, a exibição do filme “Uma Vida de Esperança” foi uma ação que visou proporcionar, além de diversão, inclusão para a população vulnerável:
“Uma boa e comovente história que leva esperança para essas pessoas que, muitas vezes, não conhecem os seus direitos e acabam permanecendo nas ruas ou em abrigos da cidade. É uma grande alegria contar com a presença delas para assistir a esse belo filme. O cinema nos lembra de que todos temos direitos. A cultura não é um privilégio, é um direito de todos.”
O corregedor-geral de Justiça, desembargador Raimundo Messias Júnior, também falou sobre a sessão especial voltada para pessoas em situação de rua de Belo Horizonte:
“Inicialmente, devemos destacar a excelente atuação do Núcleo de Voluntariado do TJMG, comandado pela desembargadora Maria Luíza de Marilac, que tem como principal objetivo resgatar a cidadania dessas pessoas, além de oferecer oportunidade de estar dentro de uma instituição como o Tribunal. Muitos sequer tiveram a oportunidade de entrar em uma sala de cinema. Nesta tarde, eles puderam assistir a um grande filme que retrata uma emocionante história de vida e de superação.”
Alguns espectadores comentaram a oportunidade de participar do Cineclube TJ.
Wilder Antônio Valadares da Silva, 38 anos, ajudante de obras:
“Gosto de cinema e, para mim, foi um privilégio ter esta oportunidade, em um ótimo ambiente. Essa sessão de cinema foi maravilhosa, com um filme muito bonito e emocionante. Muita coisa eu posso tirar para usar na minha vida real. Obrigado pela iniciativa.”
Jean Henrique Pinto Alves, 34 anos, lanterneiro:
“O Tribunal está nos vendo como seres humanos, sem preconceito por estarmos tão vulneráveis, vivendo nas ruas. O filme representa um grande aprendizado para todos nós. Espero que essa iniciativa se repita e possa ajudar ainda mais pessoas que vivem como eu vivo.”
Carlos de Freitas, 51 anos, aposentado:
“Gostei muito dessa iniciativa, e o filme foi realmente muito emocionante, além de ser uma grande diversão que quebrou a nossa rotina nesta tarde.”
Edson de Castro, 36 anos, aposentado:
“Estar aqui representa muito para mim. Essa ação do TJMG foi interessante e pode abrir a nossa mente para que possamos desenvolver coisas melhores, que só vão nos beneficiar. O filme teve muito a ver com o que vivemos no dia a dia, e temos que extrair o máximo para fazer um paralelo com o que vivemos nas ruas.”
Paula Pereira Rocha, 26 anos, sem profissão:
“Estou há oito meses na instituição Canto da Rua, que tem me ajudado muito. E hoje foi um dia especial, pois tivemos a chance de assistir a um filme muito especial. Eu já tive a oportunidade de vê-lo anteriormente e sei o quanto ele pode nos ajudar, nos motivando a ter uma vida melhor.”
Erick Douglas Medeiros, 29 anos, pintor:
“Estar aqui é muito bom, muito melhor do que estar nas ruas. Sou jovem e tenho uma vida pela frente. O filme nos influenciou positivamente para que possamos pensar em coisas melhores para se fazer. Usar drogas só traz muito prejuízo.”
O filme
Dirigido por Jon Gunn, “Uma Vida de Esperança” (2024) narra a história real de Sharon Stevens, uma cabeleireira determinada que luta contra o alcoolismo e a solidão. Sua vida ganha um novo propósito ao mobilizar uma comunidade inteira para salvar a vida de Michelle, uma menina de 5 anos que perdeu a mãe e precisa urgentemente de um transplante de fígado. O filme ressalta a solidariedade e a empatia como ferramentas de cura e transformação para quem ajuda e para quem é ajudado.
A cabeleireira Sharon Stevens é vivida por Hilary Swank; Ed Schmitt, pai de Michelle, é vivido por Alan Ritchson, um trabalhador e viúvo que luta para criar as filhas; Michelle Schmitt, a garotinha de cinco anos que precisa do transplante, é vivida por Emily Mitchell; Ashley Schmitt, irmã de Michelle, é vivida por Skywalker Hughes; Barbara, mãe de Ed e avó das crianças, é interpretada por Nancy Travis; Rose, melhor amiga e sócia de Sharon no salão de beleza, é vivida por Tamala Jones.
Sobre o projeto
O “Cineclube TJ” foi criado em 2003, pelo desembargador Sérgio Augusto Fortes Braga, visando incentivar magistrados, servidores e colaboradores a refletir sobre obras cinematográficas.
Em 2017, passaram a ser exibidos filmes com audiodescrição para pessoas com deficiência visual, em sessões especiais, acompanhadas de debates. Para as sessões com essa funcionalidade, são cedidos filmes do setor Braille da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.
O projeto também recebe sessões do “Expresso da Infância”, que visa garantir o acesso de crianças e adolescentes acolhidos institucionalmente a espaços culturais, esportivos e recreativos, promovendo a inclusão social, o fortalecimento de vínculos comunitários e a ampliação de repertórios artísticos e educacionais.
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