Cultura da aprendizagem contínua
2º Vice-Presidente
Desembargador Manoel dos Reis Morais
“Queremos que a Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes deixe de ser reconhecida apenas como uma instituição que transmite conhecimento para consolidar-se como uma instituição que produz conhecimento, gera inovação e contribui diretamente para o aperfeiçoamento da Justiça”. Esse é a meta a que se propõe o desembargador Manoel dos Reis Morais, no comando da 2º Vice-Presidência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e da Superintendência da Ejef no biênio 2026-2028. Nascido em Ituverava, no interior de São Paulo, e magistrado há exatas três décadas, o desembargador quer deixar na instituição que integra não apenas novos projetos, mas a cultura de que “aprender continuamente é a melhor forma de servir à Justiça.”
Qual a visão do senhor para a Escola Judicial nos próximos dois anos, e qual futuro sua gestão pretende projetar para ela?
Vejo a Escola Judicial como o centro de inteligência institucional do Tribunal de Justiça.
Nos próximos dois anos, pretendo consolidar a Ejef como uma Escola de Governo cada vez mais integrada à missão constitucional do Judiciário, capaz de articular formação, pesquisa, inovação e produção de conhecimento aplicado à melhoria da prestação jurisdicional.
Nosso propósito não é romper com o excelente trabalho realizado pelas gestões anteriores, mas qualificá-lo e aprofundá-lo. Queremos aproximar ainda mais a educação das necessidades concretas da jurisdição; fortalecer o protagonismo de magistrados e servidores como docentes e pesquisadores; ampliar a educação a distância e a interiorização; consolidar os programas de pós-graduação (lato sensu e stricto sensu); intensificar as parcerias nacionais e internacionais; e incorporar as novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial, sempre acompanhadas de sólida formação ética e humanística.
Meu objetivo é que toda ação da Escola produza impacto concreto na qualidade da jurisdição. Em outras palavras, queremos que a Ejef deixe de ser reconhecida apenas como uma instituição que transmite conhecimento para se consolidar como uma instituição que produz conhecimento, gera inovação e contribui diretamente para o aperfeiçoamento da Justiça.
Como preparar o público interno da Casa para os novos desafios advindos do uso da inteligência artificial, e como equilibrar técnica e humanização?
Vivemos um momento em que a técnica evolui em velocidade extraordinária. Mas há uma lição permanente da filosofia: a técnica responde ao “como”; a ética responde ao “para quê”.
A inteligência artificial transformará profundamente a forma de pesquisar, organizar informações e apoiar a atividade jurisdicional. Entretanto, ela não decide valores, não exerce prudência, não assume responsabilidade e não possui consciência moral.
O papel da Escola Judicial será justamente preparar magistrados e servidores para utilizar essas novas ferramentas com competência técnica, espírito crítico e responsabilidade institucional. Precisamos ensinar não apenas o uso da inteligência artificial, mas também seus limites, seus riscos e suas implicações éticas.
Por isso, tecnologia e humanização não representam caminhos opostos. Ao contrário: quanto mais sofisticadas forem as ferramentas tecnológicas, maior deverá ser nosso investimento na formação humanística, na ética judicial, na filosofia do direito, na teoria da decisão e na proteção dos direitos fundamentais.
Queremos formar profissionais preparados para utilizar a melhor tecnologia disponível, sem jamais perder de vista que a decisão judicial continua sendo um ato essencialmente humano.
Como a sua gestão pretende ampliar o acesso à formação contínua, especialmente para juízes, juízas, servidores e servidoras que atuam no interior?
Uma das prioridades da gestão será democratizar efetivamente o acesso à formação contínua.
Minas Gerais possui enorme extensão territorial e realidades regionais muito distintas. Por isso, não podemos organizar a política educacional da Escola a partir de uma lógica concentrada na capital. Magistrados, magistradas, servidores e servidoras que atuam no interior devem ter acesso às mesmas oportunidades de qualificação, com conteúdos relevantes e conectados às suas necessidades concretas.
Para alcançar esse objetivo, atuaremos em três frentes. A primeira será o fortalecimento dos Núcleos Regionais da Ejef, que deverão funcionar como verdadeiros polos de formação, integração institucional e identificação das demandas locais. A segunda será a expansão da educação a distância, com conteúdos digitais de alta qualidade, trilhas formativas flexíveis e metodologias inovadoras. A terceira será o aperfeiçoamento do modelo híbrido, integrando atividades assíncronas, encontros virtuais e momentos presenciais estratégicos.
A interiorização, contudo, não significa apenas levar cursos ao interior. Significa também ouvir as diversas regiões do Estado, compreender suas especificidades e construir ações educacionais alinhadas aos desafios concretos enfrentados por magistrados e servidores em cada realidade local.
Nosso objetivo é assegurar que o desenvolvimento profissional não dependa da localização geográfica. A Ejef deve estar presente em todo o Estado e ser reconhecida como uma Escola acessível, próxima das pessoas e comprometida com a igualdade de oportunidades.
Qual legado o senhor gostaria de deixar à frente da 2ª Vice-Presidência ao final deste mandato?
Gostaria de deixar uma Escola Judicial ainda mais forte institucionalmente e ainda mais útil ao Tribunal de Justiça.
Espero contribuir para consolidar uma cultura permanente de aprendizagem, inovação e produção de conhecimento, em que a formação deixe de ser vista como uma atividade acessória e passe a ser compreendida como instrumento estratégico para o aperfeiçoamento da jurisdição.
Vivemos um tempo de profundas transformações tecnológicas, sociais e culturais. O maior desafio das escolas judiciais será preparar pessoas para um futuro que ainda está sendo construído. Por isso, desejo fortalecer uma instituição em que a excelência técnica caminhe ao lado da reflexão ética; em que a inovação conviva com a tradição; e em que a inteligência artificial jamais faça esquecer que a Justiça continua sendo uma obra humana.
Se, ao final da gestão, a Ejef estiver mais integrada ao Tribunal, mais próxima de magistrados e servidores, mais comprometida com a produção de conhecimento aplicado e reconhecida como um centro de excelência a serviço da prestação jurisdicional, entenderei que nosso propósito foi alcançado.
Em síntese, gostaria de deixar como legado não apenas novos projetos, mas uma cultura institucional: a cultura de que aprender continuamente é a melhor forma de servir à Justiça.