“Onde há Justiça há esperança. Viva o Judiciário!”
Com essa frase a cantora mineira Dolly Piercing encerrou sua participação, nesta sexta-feira (26/6), no projeto "Intervalo Cultural" do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), realizado no Espaço de Convivência Antônio Luiz Garcia de Paiva, do Edifício-Sede.
O mês de junho foi escolhido para a vinda da artista como parte das homenagens ao Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ e para promover a visibilidade, os direitos e o respeito às diversidades de gênero e de sexualidade.
A apresentação com clássicos da Música Popular Brasileira (MPB) e da música internacional animou o público. Dolly Piercing destacou a importância do projeto do Tribunal de Justiça que a permitiu mostrar sua arte:
“Eu acho que tem tudo a ver apresentar minha arte dentro do TJMG, pois as conquistas do movimento ligado às questões LGBTQIAPN+ foram ouvidas justamente pelo Judiciário. Então, o Judiciário se prontificou em sanar as nossas necessidades. Sei que ainda tem muita coisa para ser feita, mas a Justiça tem um papel muito importante nos movimentos da diversidade no País.”
A artista
Natural de Belo Horizonte (MG), Dolly Piercing disse que sua paixão pela música começou desde a infância e seu lado artístico se desenvolveu no teatro, quando tinha 12 anos.
Graduada em Teatro pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a artista é considerada a primeira drag queen cantora da Capital mineira.
“Minhas influências musicais são a Rita Lee, a Xuxa, mas eu não posso deixar de falar da minha referência maior, Madonna, que representa liberação feminina, o empoderamento e a noção de sexualidade bem resolvida. E ela passa por todos os estilos, da parte eclética até a inovação artística”, afirmou Dolly Piercing.
Respeito à diversidade
A apresentação contou com a presença da desembargadora do TJMG Áurea Brasil; do juiz convocado na 2ª Instância Paulo Tristão Machado Júnior; e do juiz auxiliar da Presidência do TJMG e responsável pela Diretoria Executiva de Comunicação (Dircom), Marcelo Rodrigues Fioravante.
A desembargadora Áurea Brasil afirmou que conhece Dolly Piercing há mais de 10 anos, quando ocupava o cargo de 2ª vice-presidente do TJMG e convidou a artista para participar de um evento promovido pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef):
“Ela participou do 1º Encontro de Mulheres realizado durante a minha gestão à frente da Escola Judicial. Foi um evento voltado à reflexão sobre os desafios do universo feminino, especialmente aqueles enfrentados pelas mulheres na carreira e no Poder Judiciário. Para encerrar a programação, tivemos o show dela. Foi muito significativa a sua participação, para o evento e para a própria instituição.”
Sobre a edição especial do "Intervalo Cultural" no Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, a magistrada destacou que a iniciativa demonstra o compromisso do TJMG com a promoção da inclusão e do respeito à diversidade:
“Isso mostra que o Poder Judiciário está se abrindo à pluralidade, à diversidade de expressões culturais, caminhando para afastar preconceitos e discriminações. O Judiciário sempre foi visto como um espaço muito conservador, e apresentações como a promovida hoje contribuem para transformar essa visão e para a consolidação de um Judiciário mais plural, inclusivo e alinhado aos valores democráticos.”
O juiz convocado Paulo Tristão Machado Júnior disse que achou excelente a iniciativa: “Ela é uma artista completa e representa muito bem a forma como pensa, e essa iniciativa do Tribunal abrange todo mundo.”
Ao falar sobre a qualidade artística de Dolly Piercing, o juiz auxiliar Marcelo Rodrigues Fioravante destacou que foi muito importante a apresentação no mês de junho.
Segundo ele, instituições como o Tribunal de Justiça devem, constantemente, passar esse recado de inclusão e de respeito a todas as pessoas:
“Esse é mais um sinal da atual gestão, para que esse tipo de mensagem fique muito forte na nossa Justiça.”
Representatividade
O assessor jurídico Fábio Pedrosa, do Gabinete da desembargadora do TJMG Lílian Maciel, disse que a presença de uma figura da comunidade LGBTQIAPN+ dentro do prédio da Justiça Mineira era “icônica”:
“É muito importante ela estar aqui ocupando um espaço que lhe pertence. Somos todos cidadãos e isso é exercício de cidadania. Então, eu vim prestigiá-la porque amo a arte drag.”
Para o designer Bruno Lopes, da Coordenação de Publicidade (Copub) do TJMG, o show foi marcante porque Dolly Piercing está há anos na cena artística mineira, com importante representatividade na comunidade LGBTQIAPN+.
O projeto
Criado em 2017, o projeto “Intervalo Cultural” é uma iniciativa da Dircom do TJMG. Seu objetivo é aproximar a Corte mineira da sociedade por meio da arte, com apresentações periódicas de música, dança, peças teatrais e outras manifestações culturais.
As sessões, gratuitas e abertas ao público, acontecem na área externa do Edifício-Sede (Avenida Afonso Pena, nº 4001, bairro Serra, Belo Horizonte/MG) e também no hall do edifício.
Confira outras imagens da apresentação no Flickr oficial do TJMG.
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