Em 28 de abril de 2000, em Dakar, no Senegal, encerravam-se as discussões do Fórum Mundial de Educação. Na ocasião, líderes de 164 países se comprometeram com metas para a promoção do saber, a formação de crianças, especialmente as mais vulneráveis, e adultos, com foco na inclusão e na ênfase em alfabetização, matemática e nas habilidades essenciais à vida.
Embora não tenha sido instituído formalmente como marco comemorativo, esse evento se tornou uma data para lembrar a importância da educação no desenvolvimento das nações e ressaltar a necessidade de ampliar o acesso a um direito fundamental e valorizar os profissionais desse campo.
No aniversário dessa declaração histórica, que reconhece que a educação deve “captar os talentos e o potencial de cada pessoa e desenvolver a personalidade dos educandos para que possam melhorar suas vidas e transformar suas sociedades”, a Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef) reafirma o engajamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais com o aperfeiçoamento constante.
Modelo integral
O 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Ejef, desembargador Tiago Pinto, destaca que desde a Antiguidade é possível perceber o apreço pelo conhecimento como forma de atingir os mais variados objetivos: vencer batalhas, derrotar inimigos, superar cenários adversos, reverter desvantagens políticas e estratégicas.
“Compreender a natureza, combater a mortalidade causada por doenças, criar ferramentas auxiliares ao trabalho, encurtar distâncias foram motivações perenes para a observação, a descoberta, a sistematização e a transmissão do que foi construído. Esse é um traço da nossa humanidade”, defende.
O magistrado enfatiza que, apesar de a pós-modernidade ser fragmentada e volátil, com desafios como a dispersão, o excesso de estímulos e a precariedade dos laços, sempre foi possível fazer a distinção entre o domínio meramente técnico ou a assimilação pouco profunda de conteúdos, de um lado, e a experiência, de outro, entendendo-se experiência como uma ciência consistente adquirida na prática, na reflexão, na interação e ao longo de gerações.
“Minha concepção continua sendo a da paideia da Grécia. Essa palavra difícil, da qual se originou, por exemplo, o termo 'pedagogia', designa a noção grega de educação, que não se limitava ao cultivo de disciplinas ou fazeres, mas ao conjunto corpo e mente, à formação moral e ética, ao preparo para a cidadania e a vida coletiva”, explica.
O 2º vice-presidente diz compreender a cultura de forma universal, humanista, buscando o crescimento e a promoção do indivíduo de forma abrangente, plural, reconhecendo a complexidade de cada um, permitindo que ele aja no mundo com liberdade, de forma a favorecer o progresso humano, o bem-estar e a justiça.
Impulso
O desembargador Tiago Pinto afirma que a Ejef tem promovido a educação dos magistrados e servidores de várias formas. “Já tivemos média de 8 a 10 ações educacionais semanais, por meio de transmissões ao vivo pelo YouTube. Também estamos realizando grupos de estudos, cursos a distância de curta e média duração, com e sem tutoria. Além disso, celebração de parcerias com entidades de notória excelência, como a UFMG, a Fundação Getúlio Vargas e a Academia Mineira de Letras.”
Segundo o magistrado, o público-alvo das atividades da Ejef cresceu com a disponibilização de cursos de temática transversal para colaboradores terceirizados e para a sociedade em geral. “Essas iniciativas educacionais têm abordado temas variados, questões atuais originadas a partir da necessidade prática, visando ao constante aprimoramento profissional de todos.”
O superintendente da Ejef cita também, como conquista e desafio, a expectativa de transformar a instituição em escola de governo, pois isso “dará maior visibilidade ao trabalho já desempenhado, tornando possível a oferta própria de cursos de pós-graduação lato sensu”.
Desenvolvimento integral
A coordenadora de planejamento e desenvolvimento pedagógico da Ejef, Inah Maria Szerman Rezende, acrescenta que a ideia é “desenvolver, de forma integral, as múltiplas e integradas dimensões intelectual, técnica e comportamental”, sem perder de vista os aspectos éticos e humanísticos, que são princípios da escola.
Atualmente, a escola conta com um banco de docentes com mais de 400 magistrados e servidores que passaram pelo programa Formação de Formadores. O objetivo é desenvolver, continuamente, competências profissionais referentes à docência e à organização do trabalho pedagógico de formação de magistrados e de servidores do Tribunal.
De acordo com a coordenadora, a formação se baseia nas competências relativas ao conhecimento a ser ensinado, tanto no aspecto teórico quanto prático, e nas habilidades para ensinar. “Elas dizem respeito ao conhecimento pedagógico propriamente dito, que envolve a compreensão de como o adulto aprende, metodologias de ensino, fundamentos e práticas de avaliação.”
Mudança e criatividade
Inah Rezende salienta que a educação está em transformação, devido à evolução tecnológica e a outros fatores, mas o contexto abre oportunidades. “A pandemia nos levou abruptamente para o digital. Percebemos que podemos ensinar e aprender de forma mais flexível, personalizada, humanizada e colaborativa, combinando espaços, tempos e metodologias.”
Para a coordenadora pedagógica, essas características são um diferencial, pois requerem o desenvolvimento de novas competências cognitivas, socioemocionais e éticas. “O perfil do educador para o mundo de hoje exige um profissional com mais empatia, escuta ativa, compartilhamento de saberes e flexibilidade”, afirma.
Segundo a servidora, uma resposta da Ejef aos desafios da contemporaneidade foi a utilização de metodologias ativas, pois elas “dão ênfase ao protagonismo do aluno, promovendo a participação e interação entre os discentes”. Inah Rezende argumenta que o credenciamento como escola de governo fortalecerá ainda mais a atuação inovadora do centro de ensino.
“Nossa certificação terá reconhecimento em todo o Brasil, ponto inicial para o desenvolvimento e estruturação de grupos de pesquisa e programas de mestrado e doutorado profissional. Poderemos celebrar acordos e termos de cooperação para certificação nacional e internacional. Do ponto de vista educacional, daremos um grande passo para o aprimoramento técnico e acadêmico de nossos magistrados e servidores”, conclui.
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