Impressoras Braille, lupas eletrônicas, leitores de tela, recursos de audiodescrição e veículos adaptados estão entre as tecnologias apresentadas na Mostra de Tecnologias Assistivas e Soluções de Acessibilidade, que segue até dia 25/9 no hall do Edifício-Sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A iniciativa integra as ações da campanha "Setembro Verde" no TJMG e é promovida pelo Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância do Estado de Minas Gerais (Sinjus MG), por meio do Núcleo da Pessoa com Deficiência (NPD), em parceria com o Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado de Minas Gerais (Serjusmig) e com o Sindicato dos Oficiais de Justiça do Estado de Minas Gerais (Sindojus MG).
A mostra reúne empresas, universidades e instituições que apresentam tecnologias disponíveis no mercado e protótipos em desenvolvimento. O objetivo é aproximar servidores e visitantes desses recursos e ampliar o conhecimento sobre as possibilidades de acessibilidade.
Abertura
A solenidade de abertura foi realizada no Auditório do Tribunal Pleno e contou com a participação do 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), desembargador Manoel dos Reis Morais, que representou o presidente do Tribunal, desembargador Vicente de Oliveira Silva.
Além do 2º vice-presidente, compuseram a mesa de honra o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior; o ex-presidente do TJMG e diretor-presidente da Escola Nacional da Magistratura (ENM), desembargador Nelson Missias de Morais; o superintendente de Saúde do TJMG, desembargador Alexandre Quintino Santiago; o diretor financeiro do Sicoob JUS-MP, juiz Agnaldo Rodrigues Pereira; o coordenador-geral de Tecnologia Assistiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Milton Pereira de Carvalho Filho; o coordenador-geral do Sinjus MG, Felipe Rodrigues; a coordenadora-geral de Articulação Institucional e Participação Social da Diretoria de Relações Institucionais da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Priscilla Selares; o presidente do Serjusmig, Eduardo Couto; o coordenador do Núcleo da Pessoa com Deficiência do Sinjus MG, Alex Aguiar; o diretor de Comunicação do Sindojus, Roberto Carlos de Arruda; e o servidor e representante das pessoas com deficiência no TJMG, Neuton José dos Santos.
A solenidade, que contou com apresentação do Coral Voz Ativa, do Instituto Mano Down, adotou recursos de comunicação acessível desde o início. O mestre de cerimônias, Walter Silva, realizou a própria autodescrição e conduziu a abertura com conversão de áudio em texto, audiodescrição em tempo real e apoio de intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras). Nos pronunciamentos, também ocorreu autodescrição.
O 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Ejef, desembargador Manoel dos Reis Morais, destacou que a acessibilidade não deve ser compreendida como favor ou concessão, mas como condição para o exercício da cidadania e da autonomia:
“Essa mostra assume um papel de grande relevância. A tecnologia, quando colocada a serviço do ser humano, amplia oportunidades, remove barreiras e permite que diferenças individuais não se transformem em obstáculos para a participação na vida social e profissional.”
Ele ressaltou, ainda, que as tecnologias assistivas têm dupla importância no Judiciário: facilitar o acesso autônomo de cidadãos aos serviços e garantir condições de trabalho dignas e seguras aos servidores com deficiência.
Na ocasião, anunciou a disponibilização da Ejef para a realização de cursos de acessibilidade em parceria com a ENM e o Sinjus MG.
O coordenador do Núcleo da Pessoa com Deficiência do Sinjus MG, Alex Aguiar, explicou que a ideia da mostra também surgiu da necessidade de divulgar as tecnologias assistivas já disponibilizadas pelo TJMG:
“A gente sentiu que existe uma necessidade de comunicar melhor essa realidade e, por isso, propôs a mostra. A ideia é uma construção, uma contribuição para tornar a sociedade um pouco mais inclusiva. Estão sendo expostos protótipos, coisas que cientistas estão fazendo. Quem visitar a mostra terá a oportunidade de dialogar com os próprios cientistas.”
Acesso à Justiça
A coordenadora-geral de Articulação Institucional e Participação Social da Diretoria de Relações Institucionais da SNDPD, Priscilla Selares, destacou a relação entre tecnologia assistiva e acesso à Justiça:
“Apresentar as tecnologias assistivas está diretamente relacionado com o acesso à Justiça. Quando falamos da garantia desse direito para as pessoas com deficiência, estamos falando tanto dos jurisdicionados quanto de servidores, magistrados e advogados com deficiência. Quando é o Tribunal de Justiça mostrando isso, há o reconhecimento de um direito e o compromisso de garantir que isso possa chegar ao maior número de pessoas.”
Experiência pessoal
Entre os expositores está a Tecnovisão, empresa sediada em Curitiba (PR), que apresenta soluções para pessoas cegas ou com baixa visão. O responsável pela empresa, Arthur Minniti, contou que começou a trabalhar com tecnologias assistivas após perder a visão:
“Em 2001, tive uma cirurgia que não foi bem-sucedida e comecei a perder minha visão. Tive que parar tudo e começar a me reinventar. Comecei a buscar soluções para poder voltar a usar o computador e continuar lendo.”
O primeiro recurso que conheceu foi o leitor de tela. Depois, passou a utilizar e estudar outras tecnologias, como linhas Braille, lupas e ampliadores eletrônicos. Há mais de 16 anos, criou a Tecnovisão:
“Eu sou formado em Análise de Sistemas, mas não conhecia nada. Não sabia o que era o Braille. Fui conhecendo esse novo mundo no momento em que comecei a perder minha visão.”
Universidades
Representantes do Centro Brasileiro de Referência em Inovação Tecnológica Assistiva (Cintesp.Br), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Eryc Dias e Dayane Nascimento, apresentaram soluções desenvolvidas com manufatura aditiva, ou impressão 3D, que é um processo de fabricação que cria objetos tridimensionais ao adicionar material camada por camada, com base em um modelo digital.
Os recursos são produzidos com baixo custo e podem ser personalizados de acordo com as necessidades de cada pessoa. Entre as aplicações estão materiais para o ensino de Libras e Braille, pranchetas adaptadas, suportes para atletas de bocha paralímpica e dispositivos para atividades cotidianas, como escrita, pintura, alimentação e higiene pessoal.
Uma das vantagens é a possibilidade de compartilhar os arquivos digitais das peças, permitindo que outras instituições as produzam. A iniciativa contribui para ampliar o acesso às tecnologias assistivas e reduzir custos e a dependência para com grandes fornecedores.
João Paulo Fernandes e Clévio Clênio Júnior, representantes do Laboratório de Bioengenharia e Mecânica (Labiome) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentaram tecnologias assistivas desenvolvidas para diferentes necessidades.
Entre os projetos estão órteses robóticas e híbridas para a reabilitação de pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVC), próteses avançadas de mão e punho e um dispositivo de comunicação para pessoas surdo-cegas, que utiliza vibrações para o envio e o recebimento de mensagens por meio de teclas e aplicativo de celular.
A equipe também apresentou projetos de eletroestimulação funcional, incluindo soluções voltadas a atletas com lesão medular e a pacientes em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). As pesquisas buscam ampliar a autonomia e contribuir para a reabilitação e a qualidade de vida das pessoas com deficiência.
Confira a programação da mostra.
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