Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Documentário sobre Chica da Silva é exibido em Diamantina

Produção documental e apresentação da Orquestra Jovem convidaram público a uma viagem imaginária pelo século XVIII


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O documentário "Chica da Silva – a Descoberta do Testamento", produzido pela TV TJ Minas, foi exibido na Praça do Bonfim, em Diamantina (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Uma viagem no tempo, que convidou os espectadores a percorrerem, por alguns minutos, as Minas Gerais do século XVIII. A experiência foi proporcionada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) ao público que compareceu à Praça do Bonfim, na histórica Diamantina, na noite de quinta-feira (11/9), para assistir à exibição do documentário "Chica da Silva – a Descoberta do Testamento".

A produção original da TV TJ Minas lança luz sobre a trajetória de uma das figuras mais icônicas do período colonial brasileiro: Francisca da Silva Oliveira, que entrou para a história como Chica da Silva. A personagem nasceu como escravizada no distrito de Milho Verde, pertencente ao Serro; viveu em Diamantina; e morreu como alguém integrante da elite local.

Prestigiaram a solenidade, entre outras autoridades, o presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior; o 1º vice-presidente do TJMG, desembargador Marcos Lincoln dos Santos; o 3º vice-presidente do TJMG, desembargador Rogério Medeiros; o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Estevão Lucchesi de Carvalho; o superintendente administrativo adjunto, desembargador Vicente de Oliveira Silva; o superintendente do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do TJMG, desembargador José Luiz de Moura Faleiros; o coordenador do Programa de Formação Continuada da Orquestra Jovem e do Coral Infantojuvenil do TJMG, desembargador Wagner Wilson Ferreira; e os juízes auxiliares da Presidência do TJMG Marcelo Fioravante e Mariana de Lima Andrade.

O evento contou ainda com a presença do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Tadeu Leite, e do prefeito de Diamantina, Geferson Burgarelli.

Uma narradora, vestida a caráter, propôs aos presentes que se imaginassem no antigo Arraial do Tejuco, no período setecentista, quando a região era a maior produtora de diamantes do mundo.

"A cultura ferve. O comércio é intenso. A opulência da elite contrasta com a realidade dos escravizados. É um tempo de violência, de exploração, mas também de possibilidades e mudanças de destino."

A narradora continuou: "Pelas ruas de pedra, ladeando os casarões e as igrejas ricamente ornadas, onde os sinos repicam marcando o passar das horas, vem descendo uma senhora: Francisca da Silva Oliveira. É ela quem nos convida a conhecer um pouco do que foi a vida no Antigo Arraial do Tejuco, atual Diamantina, no século XVIII."

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O evento, realizado na quinta-feira (11/9), contou com a presença de autoridades e de vários moradores de Diamantina (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Imersão histórica

Iniciou-se então a exibição da produção audiovisual, que traz entrevistas com historiadores, depoimentos de descendentes e documentos, como a carta de alforria, além de imagens de algumas das localidades mineiras pelas quais Chica da Silva passou – Diamantina, Serro, Milho Verde e Santa Luzia.

O documentário foi produzido para anunciar a localização do testamento da Chica da Silva, considerado fonte fulcral para iluminar a jornada dessa personalidade feminina. De inegável valor histórico, o documento será restaurado para integrar o acervo do Museu da Memória do Judiciário Mineiro (Mejud) do TJMG e, assim, tornar-se disponível para a coletividade.

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A deputada Maria Clara Marra; o presidente da ALMG, Tadeu Leite; o presidente Corrêa Junior; o 1º vice-presidente, Marcos Lincoln dos Santos; em segundo plano, o desembargador Wagner Wilson e os juízes Marcelo Fioravante e Mariana Andrade (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Após a exibição do documentário, a imersão histórica continuou, com apresentação da Orquestra Jovem do TJMG, que executou músicas de diferentes períodos históricos. 

No repertório, José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita, nascido no Serro e um dos mais destacados compositores de música sacra dos anos 1700; o austríaco Wolfgang Amadeus Mozart; e a compositora, pianista e regente carioca Chiquinha Gonzaga.

Não faltaram também batuques, em referência à parte da ancestralidade de Chica da Silva – que era filha de uma mulher escravizada da região africana conhecida como Costa da Mina e de um homem branco – e Jorge Ben Jor, que em uma de suas canções homenageia a personagem histórica.

Terminada a apresentação, a Orquestra Jovem do TJMG, no bis, executou o clássico do folclore mineiro "Peixe Vivo". A canção foi popularizada pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK) de Oliveira, nascido em Diamantina. JK era sempre saudado com a música por onde passava, e ela se tornou uma marca de sua vida pública e da cidade.

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O presidente Corrêa Junior, o desembargador Wagner Wilson, a maestrina Luciene Villani e integrantes da Orquestra Jovem no evento em Diamantina (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Justiça e cidadania

"Essa é uma demonstração de que o Poder Judiciário de Minas Gerais não se preocupa apenas com sua finalidade essencial, que é o julgamento de processos, mas também atua na arte, na cultura, no relacionamento com a sociedade", declarou o presidente Corrêa Junior. 

O presidente da ALMG, deputado Tadeu Leite, ressaltou a importância de se relembrar personalidades importantes da história de Minas Gerais. Ele salientou que Chica da Silva fez história e, por isso, a importância de que ela seja reverenciada.

"Para nós, da Direção do Foro da Comarca de Diamantina, é uma alegria muito grande poder participar desse evento. Chica da Silva é uma personagem de grande importância, não só para a nossa comarca, mas para todo o País", observou a juíza Caroline Rodrigues de Queiroz.

A magistrada destacou ainda a parceria do Judiciário com a comunidade local, "não só por meio da preservação do patrimônio que foi encontrado, como também pela divulgação do conhecimento junto à população. Nosso papel não é só de levar a justiça, mas também cidadania."

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Monitora do Museu do Diamante, Jaqueline Ribeiro foi uma das entrevistadas para a produção audiovisual (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Reparação histórica 

A moradora Jaqueline da Conceição Ribeiro, que prestigiou o evento, falou sobre a experiência: "Enquanto mulher negra e monitora de público do Museu do Diamante, me sinto extremamente feliz e orgulhosa por contribuir com a desmistificação da imagem estereotipada de Chica da Silva."

Para ela, que é também historiadora e foi uma das entrevistadas do documentário, a produção é "uma reparação histórica à Chica da Silva e às milhares de mulheres negras que durante muito tempo foram objetificadas".

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A estudante de Pedagogia Aline Lisboa afirmou que o documentário apresentou um lado de Chica da Silva que ela não conhecia (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

A estudante de Pedagogia Aline Lisboa afirmou que o documentário mostrou outro lado de Chica da Silva: "Mesmo sendo moradora de Diamantina, nunca tive visto esse lado da história dela. São várias as perspectivas que existem sobre Chica da Silva e hoje tive oportunidade de conhecer mais uma."

Descendente de Chica da Silva, Aradalia Leão expressou sua emoção com a exibição do documentário em Diamantina: "Essa produção nos presenteia com informações históricas e verdadeiras, que, por tanto tempo, ficaram escondidas no silêncio da história."

Ela acrescentou: "De coração, agradecemos a cada pessoa que, de alguma forma, contribuiu para tornar realidade esse trabalho tão especial e de imenso valor para a memória do nosso País."

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Descendente de Chica da Silva e moradora de Diamantina, Aradalia Leão prestigiou a exibição do documentário na cidade (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Memória e contemporaneidade

A diretora artística e regente da Orquestra, Luciene Villani, explicou que o repertório para o concerto foi pensado para unir memória e contemporaneidade.

"Buscamos músicas que dialogassem com o período histórico em que Chica viveu, trazendo referências às danças e ao universo sonoro do século XVIII em Minas Gerais, mas também abrindo espaço para releituras e criações atuais que revelam como sua trajetória continua inspirando a arte até hoje."

Segundo a maestrina, os jovens músicos da Orquestra receberam o repertório com "enorme entusiasmo": "Muitos disseram que se sentiram parte de uma viagem no tempo, descobrindo um Brasil profundo e ao mesmo tempo atual. A empolgação é visível nos ensaios: cada detalhe foi preparado com dedicação, e todos estavam motivados para compartilhar essa experiência única com o público, dando vida a uma história que permanece viva através da música."

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A maestrina Luciene Villani explicou que o repertório para o concerto foi pensado para unir memória e contemporaneidade (Crédito: Gláucia Rodrigues / TJMG)

Programa de formação

A Orquestra Jovem do TJMG integra um programa social do Judiciário mineiro, composto ainda pelo Coral Infantojuvenil. A iniciativa, que busca a transformação por meio da música, atende atualmente a mais de 420 crianças e adolescentes, a maioria delas em situação de vulnerabilidade.

Por meio do Programa, além das aulas de instrumentos, inglês e canto coral, as crianças desenvolvem habilidades essenciais como disciplina, paciência, sensibilidade, coordenação, capacidade de concentração, solução de problemas, pensamento crítico, liderança e comunicação.

Presenças

Também estiveram presentes o coordenador executivo da Comissão de Soluções Fundiárias do TJMG, desembargador Leopoldo Mameluque; os desembargadores do TJMG Alberto Deodato, Ana Paula Nannetti Caixeta, Marcílio Eustáquio dos Santos e Tereza Cristina da Cunha Peixoto.

Serro

No dia 19/9, às 18h, o documentário "Chica da Silva – a Descoberta do Testamento" será exibido na cidade do Serro, em frente à Igreja do Carmo. Na sequência, às 19h, o público será brindado com a apresentação da Orquestra Jovem do TJMG.

Veja outras imagens do evento em Diamantina no Flickr oficial do TJMG.

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