Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

BH recebe projeto para prevenção de violência contra mulheres e população LGBT+

Formulários Fonar e Rogéria mapeiam fatores de risco e ajudam a prevenir feminicídios


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Representantes de órgãos públicos e da sociedade civil vão contribuir para o aprimoramento dos formulários Fonar e Rogéria (Crédito: Juarez Rodrigues / TJMG)

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sediou o lançamento de projeto-piloto de prevenção à violência contra mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. Trata-se da implementação do Formulário Eletrônico Nacional de Avaliação de Risco (Fonar) e do Registro de Ocorrência Geral de Emergência e Risco Iminente às Pessoas LGBTQIA+ (Rogéria).

O evento foi realizado no dia 15/7, no Auditório do Fórum Cível e Fazendário da Comarca de Belo Horizonte, na avenida Raja Gabáglia, região Oeste da Capital.  

A iniciativa integra o programa "Justiça Plural" e visa fortalecer a rede de proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar e às pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. Além de Belo Horizonte, João Pessoa (PB) recebe o projeto-piloto, que busca testar metodologias e ferramentas de atuação antes da expansão nacional.

Fonar e Rogéria

Os instrumentos funcionam como um mapeamento de fatores de risco. O Fonar, voltado à violência contra a mulher, e o Rogéria, focado em casos de LGBTfobia, permitem que profissionais da rede (segurança pública, saúde, assistência social e Sistema de Justiça) identifiquem sinais de perigo à integridade física e psicológica das possíveis vítimas, prevenindo agressões e o feminicídio.

Representantes de diversos segmentos da rede de proteção participaram com sugestões e puderam tirar dúvidas.

Superintendente-adjunto da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Comsiv) do TJMG e juiz do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Belo Horizonte, Leonardo Guimarães Moreira destacou que a parceria com o CNJ é um avanço fundamental para estruturar a rede de proteção e atendimento na Capital mineira.

Analista de Políticas Públicas para Mulheres da Prefeitura de Belo Horizonte, Andréa Chelles ressaltou o papel do município na estruturação física da Casa da Mulher Brasileira e na metodologia de atendimento psicossocial. Segundo ela, o objetivo é garantir um fluxo humanizado e preciso desde o acolhimento inicial, utilizando os formulários como base para o diagnóstico de risco.

Not-Projeto-piloto-do-Fonar-Eletronico-e-Rogeria-4-Adriana-Meireles-Melonio.jpgA juíza auxiliar da Presidência do CNJ Adriana Melonio destacou a boa estruturação da rede de proteção em Minas, em especial da Comsiv do TJMG (Crédito: Juarez Rodrigues / TJMG)

A juíza auxiliar da Presidência do CNJ Adriana Meireles Melonio destacou o papel indutor do Conselho na criação de políticas públicas e a necessidade de parcerias com os tribunais para sua implementação.

Ela falou sobre a estrutura do TJMG para o cuidado com o tema, em especial da Comsiv, e sobre a rede de proteção existente em BH, que contribuíram para a escolha da Capital mineira para receber o projeto-piloto.

A magistrada ressaltou ainda a importância da atuação conjunta:

"O Fonar e o Rogéria são instrumentos muito importantes para o enfrentamento à violência. Se a gente quer ir rápido, vai sozinho. Mas, se quer ir mais longe, a gente vai acompanhado: vamos juntos."

Os formulários 

O Fonar foi criado em 2020 para avaliar os riscos de ocorrência de nova violência em âmbito doméstico contra mulheres, para fins de intervenção e prevenção ao feminicídio. Em 2022, o CNJ criou a versão voltada para o público LGBTQIAPN+.

Associada técnica especialista em Gênero e Acesso à Justiça do programa "Justiça Plural", do CNJ, Maíra Cristina Correa Fernandes apresentou o histórico dos formulários e destacou que a versão eletrônica facilita a padronização de dados e a integração entre órgãos:

"Estamos levando o projeto-piloto para Minas Gerais e Paraíba, para entender as necessidades de melhoria. A ideia é que, quanto mais formulários a rede preencher, mais estaremos gerando uma base nacional de dados de fatores de risco para aprimorar as estratégias de prevenção."

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A associada técnica do CNJ Maíra Fernandes destacou a importância da contribuição das redes de proteção no período de implantação das versões eletrônicas do Fonar e do Rogéria (Crédito: Juarez Rodrigues / TJMG)

As informações constantes nos formulários possibilitam uma análise mais criteriosa do risco a que as vítimas estão expostas, ressaltou a juíza do 4º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Belo Horizonte, Roberta Chaves Soares:

"O Fonar é um instrumento muito valioso quando vamos apreciar um pedido de medida protetiva. Muitas vezes, apenas os dados do boletim de ocorrência são insuficientes para analisar o risco. Com uma medida bem analisada, podemos evitar o pior dos cenários, que é o feminicídio."

O juiz do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Belo Horizonte, Marcelo Gonçalves de Paula, reforçou a utilização do instrumento para a análise de medidas protetivas, suprindo lacunas de informações e permitindo decisões mais céleres, como a determinação de uso de tornozeleira eletrônica ou prisão preventiva para evitar o feminicídio.

Ele pontuou também que o formulário Rogéria é essencial para reduzir a subnotificação de violência contra a comunidade LGBTQIAPN+: "O suporte de profissionais capacitados é essencial, pois a violência doméstica extrapola o âmbito jurídico e exige atuação integrada como questão social e de segurança pública."

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