Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Aulas gratuitas de idiomas buscam transformar futuro de crianças

Projeto do Cejusc de Arcos é voltado para alunos da rede pública de ensino


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Os cursos de inglês e espanhol têm como público-alvo crianças e adolescentes da rede pública de ensino de Arcos (Crédito: Divulgação / TJMG)
“A condição econômica da família não deve determinar até onde uma criança pode chegar. Se pudermos oferecer a esses alunos conhecimento, confiança e novas possibilidades, estaremos contribuindo para ampliar suas perspectivas de futuro. Acredito que esse seja um dos papéis mais importantes que uma parceria entre instituições públicas e a sociedade pode desempenhar: criar oportunidades concretas e investir na formação das próximas gerações.”

A reflexão é do juiz titular da 1ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude e coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Comarca de Arcos, no Centro-Oeste do Estado, Rafael Drumond de Lima. Por meio dessa observação, o juiz avalia o entendimento que ancora o projeto, idealizado e coordenado por ele, de ensino dos idiomas inglês e espanhol para crianças e adolescentes de até 14 anos, alunos da rede pública do município de Arcos.

Atualmente, 15 meninos e meninas estão sendo beneficiados pela iniciativa, entre eles algumas crianças e adolescentes do Centro de Acolhimento de Arcos. Mas há 35 vagas iniciais para ambos os idiomas e as matrículas, que se iniciaram em 5/8, ainda estão abertas.

Perspectivas futuras

O juiz Rafael Drumond de Lima explicou que a ideia surgiu da percepção de que o acesso ao ensino de idiomas ainda é muito desigual. Para ele, aqueles que têm condições financeiras podem frequentar cursos particulares e ter contato mais intenso com línguas estrangeiras, enquanto muitos alunos da rede pública não têm essa oportunidade:

“O objetivo do projeto é justamente contribuir para diminuir essa diferença. Queremos oferecer um ensino de idiomas de alta qualidade, gratuito e acessível para que essas crianças tenham oportunidades semelhantes às dos alunos que podem pagar por cursos particulares.”

Além do conhecimento de uma nova língua, o magistrado acredita que o contato com outros idiomas amplia horizontes, desenvolve a capacidade de comunicação e aproxima os alunos de outras culturas: “É uma forma de investir não apenas na educação, mas também na autonomia e nas perspectivas futuras dessas crianças.”

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O juiz coordenador do Cejusc da Comarca de Arcos, Rafael Drumond de Lima, idealizou o projeto e atua nele como professor voluntário (Crédito: TJMG / Divulgação)

Trabalho voluntário

As aulas de inglês são ministradas, voluntariamente, pelo próprio juiz, e as de espanhol, pela esposa do magistrado, a polonesa Joanna Josefowska Drumond, também na condição de voluntária. Mestre em Tradução pela Universidade de Brasília (UnB), ela possui mais de 15 anos de experiência no ensino de idiomas e coordena a parte didática do projeto.

“A proposta foi construída a partir dessa atuação voluntária conjunta. É um trabalho que exige dedicação, planejamento e continuidade, mas acreditamos que justamente essa combinação entre experiência pedagógica e trabalho voluntário pode fazer a diferença na formação dos alunos”, explicou o magistrado.

Para ele, atuar como professor voluntário na atividade tem sido uma experiência “extremamente gratificante”. Apaixonado por línguas estrangeiras, ele teve a oportunidade de viver em outros países, como Estados Unidos, Austrália e Espanha. Segundo o juiz Rafael Drumond de Lima, essas experiências mostraram, na prática, “o quanto o conhecimento de idiomas pode ampliar a visão de mundo de uma pessoa”.

Joanna Josefowska Drumond é filóloga, tradutora e professora de idiomas e compartilha com o marido a paixão pelo ensino e pelas línguas. Ambos cultivavam a vontade de desenvolver algum trabalho voluntário na área de educação e, a partir disso, surgiu a possibilidade de estruturar o projeto de ensino de idiomas, que, desde o início, conforme o magistrado, contou com o apoio do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e da Prefeitura de Arcos.

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O objetivo do projeto é contribuir para que as crianças tenham oportunidades semelhantes às dos alunos que podem pagar por cursos particulares de idiomas (Crédito: Divulgação / TJMG)

Autoestima e confiança

Na avaliação do juiz Rafael Drumond de Lima, o impacto do projeto pode ser muito amplo, pois aprender um idioma contribui para o desenvolvimento linguístico, cognitivo e cultural, além de fortalecer a autoestima e a confiança das crianças.

Ele observou ainda que o conhecimento de inglês e espanhol também pode abrir portas para oportunidades futuras de estudo, intercâmbios, acesso a universidades, bolsas de estudo e, posteriormente, ao mercado de trabalho:

“Em um mundo cada vez mais conectado, saber se comunicar em outros idiomas deixou de ser apenas um diferencial e passou a ser, em muitas situações, uma importante ferramenta de inclusão. Existe ainda uma dimensão social muito importante: queremos ajudar a diminuir a distância entre as crianças que têm acesso a atividades educacionais complementares fora da escola e aquelas que não têm essa possibilidade por razões econômicas. O projeto procura transformar a igualdade de oportunidades em algo concreto.”

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