“A arte nos traz felicidade.”
A afirmação do presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Luiz Carlos Corrêa Junior, encontrou eco no público presente no concerto “A Paixão de Cristo segundo São Mateus”, na noite desta terça-feira (2/6), no Auditório do Tribunal Pleno, no Edifício-Sede do TJMG. A plateia aplaudiu de pé por cinco minutos a apresentação, em demonstração de admiração e reconhecimento pela performance.
A obra do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750) foi apresentada pelo Coral Hymnifer e por uma orquestra formada por músicos convidados, sob a regência do maestro Lukas D’Oro.
Promovida pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), o concerto, inteiramente cantado em alemão, integrou as celebrações de Corpus Christi, solenidade da Igreja Católica comemorada nesta quinta-feira (4/6). A data, cujo nome significa “Corpo de Cristo” em latim, celebra a instituição da Eucaristia por Jesus Cristo durante a Última Ceia.
Considerada uma das mais importantes composições da música sacra ocidental, “A Paixão segundo São Mateus” narra os últimos momentos da vida de Cristo com base no Evangelho de Mateus. A obra reúne coro, solistas e orquestra e é tradicionalmente apresentada em períodos ligados ao calendário cristão, em teatros, igrejas e espaços culturais de todo o mundo.
Caminho certo
Para o presidente Corrêa Junior, a realização do concerto reforçou a importância de aproximar o Judiciário da população:
“Essa é a demonstração de que estamos no caminho certo. Hoje, inauguramos a exposição na nossa Galeria de Arte, contamos com apresentações da Orquestra e do Coral Jovem e, agora, recebemos esse espetáculo em um espaço tão importante para nós, que é o Tribunal Pleno. Trazer a comunidade para compartilhar esse momento com o Tribunal é muito importante.”
Ele ressaltou que, embora a principal missão do Poder Judiciário seja julgar processos e solucionar os conflitos apresentados pelos cidadãos, a Instituição também tem o dever de atuar em prol da construção de uma sociedade mais justa e igualitária:
“Entre inúmeras medidas, trazer a comunidade para dentro do Tribunal de Justiça e dividir a oportunidade de assistir a um concerto também é uma forma de contribuir para uma sociedade mais justa, igualitária e, antes de mais nada, feliz, porque a arte nos traz felicidade.”
Momento litúrgico
Ao falar sobre a importância de a Corte mineira receber uma apresentação desse porte, o 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Ejef, desembargador Saulo Versiani Penna, destacou que ela se torna ainda mais significativa por ocorrer no período que antecede a celebração de Corpus Christi:
“A obra escolhida dialoga com o momento litúrgico e reforça valores humanísticos essenciais à sociedade contemporânea. Hoje, quando falamos em tecnologia, inovação e até mesmo em decisões judiciais, temos que ter em nossa mente, sobretudo, a questão do humanismo. E nada mais indicado para isso do que um concerto como esse.”
Para ele, a iniciativa integra o esforço institucional de promoção da cultura e do conhecimento no âmbito do Tribunal, destacando que ações dessa natureza contribuem para estreitar os laços entre o Judiciário e a sociedade:
“O nosso Tribunal não é apenas uma instituição que presta jurisdição. É também um órgão que presta um serviço público de extrema qualidade, inclusive voltado para a cultura e para a educação em geral.”
Composição histórica
O maestro Lukas D’Oro iniciou o concerto apresentando os músicos e os cantores, detalhando os papéis desempenhados por cada formação artística e ressaltando a diversidade do elenco envolvido na produção. Em seguida, explicou ao público a estrutura da obra de Bach e sua relevância para a história da música:
“‘A Paixão de Cristo segundo São Mateus’ é uma das mais importantes composições de Johann Sebastian Bach, que, a meu ver, é o maior compositor de todos os tempos, o pai de todos.”
Segundo ele, a versão apresentada no TJMG foi adaptada para a ocasião, com duração aproximada de uma hora e 30 minutos, enquanto a obra integral se estende por quase três horas.
Ao comentar a importância de apresentações culturais em espaços institucionais, Lukas D’Oro afirmou que “a presença da arte em um tribunal contribui para despertar no cidadão um sentimento de pertencimento, transparência e valorização, além de demonstrar que magistrados e servidores compartilham das mesmas experiências humanas e culturais da população”.
Para o maestro, a realização de um concerto coral sinfônico com a obra de Bach na véspera das celebrações de Corpus Christi “reforça não apenas a dimensão humana e espiritual da data, mas também evidencia a sensibilidade e o apreço pela cultura dos responsáveis pela iniciativa”.
Proximidade com a sociedade
Presente no evento, Maria de Lourdes contou que soube da apresentação por meio da filha, Carolina, assessora jurídica do desembargador do TJMG Alberto Vilas Boas Vieira de Sousa.
Para ela, a apresentação “é uma forma de o Tribunal ir ao encontro das pessoas”:
“Muita gente vê o Tribunal como um lugar muito sério, voltado apenas para julgamentos. A música é um veículo maravilhoso de comunicação e aproximação.”
Visivelmente emocionada no fim do concerto, Maria de Lourdes disse que ficou “encantada ao ver tantos jovens acompanhando uma obra como essa”.
Segundo ela, a escolha da composição foi especialmente significativa por retratar o julgamento e a condenação de Jesus Cristo:
“Achei muito bonito o Tribunal ter apresentado essa obra. Ela mostra um julgamento tão injusto e um acontecimento tão marcante da história. Mesmo em versão resumida, conseguiu transmitir muito bem a narrativa e emocionar o público. Gostei demais. É uma obra que realmente emociona.”
Assista à apresentação da obra “A Paixão de Cristo segundo São Mateus”:
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