No período de agosto de 2024 a dezembro de 2025, a Ouvidoria do TJMG processou mais de 15.600 demandas. Nos primeiros quatro meses de 2026, já haviam sido registrados quase 4 mil atendimentos.

O canal digital “Fale com o TJMG” se consolidou, no biênio, como a principal porta de entrada do cidadão. Em abril de 2026, o canal alcançou a marca recorde de 566
atendimentos, correspondendo isoladamente a 52,3% de todas as demandas recebidas no mês.

Essa forte migração do usuário para o atendimento remoto reafirma o acerto do Tribunal em investir na modernização global de suas ferramentas de atendimento, preparando a Ouvidoria para os desafios futuros de fluxo e inteligência de dados.

OUVIDORIA TJMG.pngO canal digital "Fale com o TJMG" se consolidou, no biênio, como a principal porta de entrada do cidadão

Modernização Administrativa

A equipe realizou o mapeamento textual e a descrição minuciosa de todos os fluxos de trabalho do setor para a criação de uma Instrução Padrão de Trabalho (IPT), visando padronizar as rotinas internas.

Em cooperação com o Centro de Gestão de Processos de Trabalho, Padronização e Qualidade (Ceproc), a Ouvidoria formalizou graficamente seus processos e subprocessos de trabalho no TJMG.

Foi proposta, ainda, a transformação de cargos de apoio terceirizados para o perfil de “Assistente de Apoio Administrativo”, garantindo atribuições mais adequadas às complexas análises técnicas e exigências da LGPD realizadas pela equipe.

Modernização tecnológica

Foram realizados estudos técnicos que culminaram com a decisão da Ouvidoria de contratar uma solução global de mercado, sob o modelo de plataforma integrada de gestão de demandas, central de atendimento omnicanal (central com todos os canais integrados) e módulo de Inteligência Artificial Auxiliar, contemplando licenciamento, implantação, treinamento, suporte técnico e integração tecnológica.

O sistema será destinado a modernizar as operações da Central de Atendimento da Ouvidoria (Ceat/TJMG), consolidando um ecossistema holístico de atendimento ao cidadão. Trata-se de uma ferramenta completa de gestão de demandas que permitirá o controle total do fluxo de atendimento de ponta a ponta.

  • A nova plataforma contará com automação de rotinas, aplicação de recursos de inteligência artificial e integração multicanal (incluindo o futuro canal de atendimento via WhatsApp).
  • A implantação da nova solução visa superar as limitações operacionais que o Sistema Eletrônico de Informações (SEI) apresenta para a execução de fluxos de trabalho em tempo real, além de eliminar em definitivo a necessidade de controles manuais paralelos em planilhas. Com o novo arranjo, a integração com o SEI ocorrerá exclusivamente para fins de formalização administrativa oficial do Tribunal.
  • Como parte desse esforço de evolução, realizou-se um processo de benchmark junto à Ouvidoria-Geral do Estado de Minas Gerais (OGE) para absorver a estrutura de painéis e “sala de situação”, viabilizando a migração de dados estatísticos da Ouvidoria para painéis em Qliksense. Em meados de 2026, o novo painel de BI da Ouvidoria, com informações estratégicas para toda a instituição, já deverá estar em operação.


Governança, proteção de dados e compliance

A Ouvidoria acolheu integralmente o Relatório de Mapeamento e Análise de Riscos à Privacidade e à Proteção de Dados Pessoais. Foram implementados planos de ação imediatos, incluindo a triagem e o arquivamento seguro de alto volume de documentos físicos (como cartas enviadas por reeducandos).

Além disso, em 2026, foi editada a Resolução 1.140/2026, que disciplina a estrutura e o funcionamento da Ouvidoria do Tribunal, em consonância com diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e iniciou-se a adequação dos termos de uso, sigilo e confidencialidade e do plano de ação da LGPD diante das novas normas sobre a matéria.

Em conjunto com outros setores do Tribunal, estruturou-se um fluxo interno focado no recebimento e na tramitação de denúncias do público interno sobre irregularidades em serviços jurídicos e fraudes no sistema de juizados especiais.

Com foco em aperfeiçoar o fluxo de tratamento das denúncias e representações sobre fraudes e golpes praticados com o uso de dados processuais, a Coordenadoria de Gestão de Segurança da Informação (Cogesi) e a Ouvidoria do TJMG, em parceria, adotaram modelo padronizado de resposta ao cidadão, contemplando esclarecimentos que vêm sendo prestados, de forma reiterada, pelas áreas envolvidas, com o objetivo de assegurar resposta adequada ao demandante e, simultaneamente, evitar a sobrecarga das demais unidades com demandas idênticas.

Por fim, a Ouvidoria passou a monitorar ativamente e atuar em conformidade com as orientações do CNJ (Resolução 351/2020) no tratamento institucional a relatos de assédio e discriminação encaminhados a seus canais.

Rede Mineira de Ouvidorias Públicas – Rede Ouvir

A atuação da Ouvidoria foi marcada pelo fortalecimento do método cooperativo com as demais esferas de Poder, entendendo a função como uma verdadeira ferramenta de “mediação institucional”.

Alinhada ao entendimento de que as demandas do cidadão frequentemente ultrapassam as competências isoladas de um único órgão, a Ouvidoria do TJMG atuou ativamente em cooperação mútua com o Executivo, o Legislativo, ramificações do Judiciário e órgãos de controle na Rede Ouvir.

O Tribunal participou de reuniões técnicas da rede e de grandes eventos comemorativos, como o evento “Dia da Ouvidoria - Informação que move a gestão”, promovido em março de 2026 em parceria com o Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG). A tônica dessa união reside no princípio de que a cooperação institucional traduz, aproxima, interpreta e provê respostas integradas e consistentes para a sociedade civil.

Ouvidoria Itinerante

Ouvidoria TJMG_1.jpgEquipes do TJMG participaram presencialmente das edições da Ouvidoria Itinerante realizadas em espaços públicos de BH (Crédito: Cecília Pederzoli/TJMG)

Como resultado da cooperação da Rede Ouvir, equipes técnicas da Ouvidoria do TJMG participaram presencialmente das edições da Ouvidoria Itinerante realizadas em espaços públicos de grande circulação da capital, como a Praça da Estação e o Parque Municipal.

A iniciativa funcionou como um mutirão gratuito e integrado, permitindo à Ouvidoria do Judiciário prestar orientações diretas, acolher reclamações, denúncias e postulações de cidadãos vulneráveis ou com dificuldades de locomoção e acesso aos canais eletrônicos, consolidando a função de “escuta ativa” voltada ao aprimoramento da prestação jurisdicional e à garantia da cidadania.

Participação em Redes Nacionais

A Ouvidoria esteve representada no I Seminário Nacional de Ouvidorias (TCE-MG), nos encontros do Colégio de Ouvidorias Judiciais das Mulheres (Cojum), no Encontro do Colégio de Ouvidores Judiciais (Cojud) e na ação estratégica nacional “STF Escuta”, sediada em Brasília/DF.

Inclusão e Inspeção do CNJ

Internamente, a Ouvidoria manteve projetos de inclusão social — como o tratamento humanizado de cartas de reeducandos, com o apoio de colaboradores com deficiência visual — e respondeu às exigências da Inspeção Ordinária do CNJ em 2026, atingindo metas do “Ranking da Transparência” e do Prêmio CNJ de Qualidade.