A Comissão de Solução de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (CSCF/TJMG), em atuação conjunta com o Cejusc Social, dedica-se a mediar, prevenir e solucionar conflitos fundiários coletivos nas comarcas e nos municípios mineiros. A atuação do grupo contempla a diversidade territorial, econômica e social do estado, abrangendo conflitos urbanos e rurais e situações de grande repercussão social.

Em sua atuação, a Comissão realizou 141 visitas técnicas a locais de conflito, em 68 municípios mineiros, acompanhando mais de 200 demandas, da admissibilidade até a conclusão. Foram formalizados 12 acordos, totalizando quase R$ 76 milhões — montante que expressa a dimensão econômica e social dos conflitos pacificados.

A Comissão, com auxílio do Cejusc Social, avançou ainda na construção de 25 outros acordos, abrangendo diferentes municípios e perfis de ocupação. Em muitas das demandas nas quais a Comissão atuou, foram construídas e encaminhadas soluções para conflitos que se prolongavam há mais de 20 anos.

Entre os casos de maior expressão, está o acordo relativo à Fazenda Ariadnópolis, em Campo do Meio, com valor de aproximadamente R$ 52 milhões; o acordo referente à Fazenda Rancho Melo Moreira, em São Joaquim de Bicas, no valor de R$ 18 milhões; e o acordo da Antiga Fazenda Belgominas/Fazenda Ferro-Ligas, em Jequitaí, no valor de R$ 6,4 milhões.

Conflitos fundiarios.jpgO acordo em Campo do Meio (Sul de Minas) encerrou demanda fundiária que se arrastava há 30 anos (Divulgação TJMG)

Outro caso de repercussão foi a solução obtida no conflito fundiário envolvendo a Companhia de Mineração Serra Azul (Comisa) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em área de aproximadamente 42 hectares, também no município de São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ocupada desde 2018, a área foi objeto de mediação conduzida pelo Cejusc Social em parceria com a CSCF, resultando na desocupação voluntária das famílias e em sua realocação em outra propriedade disponibilizada pela empresa. O acordo foi homologado judicialmente em agosto de 2025, em solenidade no Gabinete da Presidência do Tribunal mineiro, constituindo exemplo concreto de solução pacífica de conflito de longa data.

Conflitos fundiarios_1.jpgO presidente Corrêa Junior oficializou o acordo de reintegração de posse de terreno em São Joaquim de Bicas (Crédito: Juarez Rodrigues/TJMG)

Cooperação Interinstitucional

Em junho de 2025, o TJMG celebrou acordo de cooperação judiciária com o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) para viabilizar a atuação integrada e coordenada das respectivas Comissões de Conflitos Fundiários no tratamento de demandas que envolvem simultaneamente competências da justiça estadual e federal — especialmente em casos relacionados ao patrimônio da União, a populações indígenas e quilombolas e a conflitos que demandam articulação com órgãos federais.

Reconhecimento nacional

O modelo de governança e atuação desenvolvido pelo TJMG foi reconhecido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em duas edições consecutivas do Prêmio Solo Seguro, premiação nacional que reconhece boas práticas em regularização fundiária urbana e rural:

Conflitos fundiarios_2.jpgO TJMG recebeu, por duas edições consecutivas, prêmio que reconhece boas práticas em regularização fundiária (Divulgação CSCF TJMG)

Edição 2024/2025 — Vencedor na categoria Regularização Fundiária Rural, em reconhecimento à abordagem consensual adotada em mais de 100 processos e que resultou em taxa de acordo de aproximadamente 30%.

Edição 2025/2026 — Menção Honrosa pelo projeto “Sistema de governança de demandas da CSCF/TJMG”, selecionado entre 132 inscrições de tribunais, prefeituras, cartórios e entidades da sociedade civil de todo o Brasil.