Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Coral e orquestra do TJMG encerram semestre com apresentação

Evento trouxe repertório de Beatles, Mahle e Villa-Lobos


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Era uma turma que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones. Mas, mais do que isso, eram meninos e meninas apaixonados por música – e correspondidos. “She loves you, yeah, yeah, yeah”. Foi o que ficou evidente na manhã deste sábado, 15 de julho, no Concerto da Família da Orquestra Jovem e do Coral Infantojuvenil da Coordenadoria da Infância e da Juventude (Coinj) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Os dois conjuntos apresentaram obras eruditas e populares para pais, amigos e colegas. Veja fotos do evento do Flickr.

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No auditório Ministro Carlos Fulgêncio da Cunha Peixoto, sob o painel Justiça, de Di Cavalcanti e outros artistas brasileiros, uma tropa exuberante de All Star, jeans e camiseta. Aparentemente, nada de extraordinário. Não se deixe enganar. No ensaio, apesar dos sorrisos de cumplicidade trocados com os colegas de estante, a concentração é visível na postura relaxada, mas impecável. Articulação, dinâmica, expressão, andamento, afinação, acelerandos e crescendos. Pode soar nebuloso, mas não para o grupo, de faixa etária entre 7 e 21 anos. São informações que eles registram para executar o repertório com o máximo de precisão e beleza.

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Sarah Reis, regente do coral, não precisa de esforço para captar a atenção dos pequenos. Basta uma série rítmica, realizada com palmas, para mostrar que a dispersão acabou. Para eles; a jornalista é interrompida por uma cutucada: “Sabe fotografar? E fazer vídeos com o celular, você consegue? Grava a música para mim?” Uniformizada, uma faxineira oferece o aparelho e me deixa à vontade, voltando uns quinze minutos depois para reaver o telefone, agradecer e sair. Mães, pais, irmãos, inclusive bebês, amigos e companheiros de projeto se inquietam. Vai começar.

 

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Concerto para tocar

 

A maestrina Luciene Villani, que ainda é professora de viola e violino, explica que a produção da banda britânica de Liverpool foi explorada ao longo de todo o semestre. Ela foi escolhida para que os integrantes do projeto pudessem tomar contato com uma obra que não só foi decisiva no cenário da música popular como é interpretada globo afora por conjuntos instrumentais. “A Orquestra de Ouro Preto está com um concerto quase igual ao nosso. Mas tivemos a ideia antes, eles nos copiaram”, declara, arrancando risadas. E acrescenta: “O produtor musical do quarteto, George Martin, tinha formação erudita e tocava oboé e piano”.

 

A regente anuncia que os Beatles virão depois. A primeira parte do programa é composta de “Que é da Margarida”, “Nesta Rua” e “Samba Lelê”, do folclore nacional, em arranjo do alemão naturalizado brasileiro Ernst Mahle, seguidas do “Trenzinho do Caipira” de Heitor Villa Lobos, com letra do poeta maranhense Ferreira Gullar. “Esses números vão abrir o nosso concerto, que foi montado para que estudantes em níveis diferentes possam, cada um à sua maneira, cooperar para o resultado. Queremos que eles aprendam a apreciar diferentes tipos de música”, afirma.

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Cada peça é introduzida por curiosidades: Paul elaborou a melodia de “Michelle” ainda no colégio; “Martha, my dear”, é uma homenagem a uma cadela sheepdog do vocalista, a qual atendia por esse nome; “Eleanor Rigby” marca a transição da pegada pop para um perfil de estúdio, mais experimental; “Lady Madonna” descreve uma realidade que muitos jovens músicos conhecem ou conheceram em casa (“Children at your feet/ Wonder how you manage to make ends meet./ Who finds the money/When you pay the rent?”); “The Long and Winding Road” tem harmonia jazzística.

 

A dicção do canto é clara e a pronúncia de peças escritas em língua estrangeira, como “Michelle”, não merece reparo. Fruto do esforço da regente do coro e também do professor de inglês José Gustavo Valle. Aplausos de pé. A cena está se tornando rotina, mas, suspeita-se, nunca vai cansar esses instrumentistas e coralistas.

 

“Ciranda e destino”

 

Para Igor, o contrabaixo é “um instrumento e uma oportunidade”, algo que mudou para sempre o seu destino. A bem da verdade, a música não era propriamente novidade nessa trajetória. Ele tocava na igreja desde os 8 anos, e chegou a ter uma banda. Do baixo elétrico para o acústico foi um pulo, e agora o jovem se prepara para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas duas escolas de música da capital: a da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Com familiaridade, ele enumera os compositores que está estudando para a prova: o austríaco Karl Ditters von Dittersdorf e o tcheco Franz Simandl. E corrige a jornalista na escrita dos nomes e no uso do termo “música erudita”, preferível a “música clássica”.

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O violinista Henrique Rocha, estudante do 3º período de violino na UFMG e monitor, abre um sorriso quando ouve os elogios. Ele tira o estojo do instrumento das costas para responder às perguntas. “Cada ensaio trouxe novidades e desafios, mas o resultado foi muito bom”, conta. O rapaz, que quer ser músico de orquestra, é responsável por acompanhar outros alunos, solucionando dúvidas, dando instruções técnicas e ensaiando as partes com eles.

 

O violista, arranjador e professor Moisés Guimarães pondera, sem pecar contra a modéstia, que a qualidade musical é um diferencial da orquestra e do coral. “Não é comum ter isso em projetos sociais”, fala. Da plateia, ele aponta para a estudante Stephanie, que, como o violoncelista Guilherme Augusto e o violinista Nikolaos, será candidata ao curso de Música no Enem: “Ela vai ser uma excelente musicista”.

 

Espero os fãs se afastarem para entrevistar a contrabaixista Danielle. Baixinha, ficou organizando as partituras cuidadosamente antes do concerto. Ela é outra que se prepara para ingressar no curso superior. Diz que, inicialmente, pensou em fazer violoncelo, pois nunca tinha visto nem ouvido falar do baixo acústico. Mas veio a curiosidade: “Como é esse contrabaixo?” A descoberta impressionou. Diante do ceticismo geral, encarou. “Se estão duvidando, aí é que eu quis dar conta”, afirma. Com os amigos e a família, tietes, a gozação é sempre a mesma: “Eles dizem: ‘Cadê? Não vi você durante o concerto. Ah, é, estava escondida atrás do instrumento’”, diverte-se. 

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A música consegue traduzir sem palavras. Talvez, se quisessem transpor para a linguagem verbal o que vivem por meio dos sons organizados, essas crianças e adolescentes diriam algo parecido com isto: “Ontem, todos os meus problemas pareciam tão perto... Hoje, lá vem o sol.”

 

Música: A ticket to ride

 

Atualmente, o Projeto de Formação da Orquestra Jovem e do Coral Infantojuvenil do TJMG beneficia 280 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, em especial, aqueles que vivem acolhidos em instituições. Os aprendizes têm aulas de iniciação musical, canto coral, prática de orquestra, percussão, flauta doce, saxofone, violino, viola, violoncelo e contrabaixo acústico. Os coralistas recebem, ainda, aulas de inglês. O objetivo da iniciativa é educar por meio de metodologias que promovam o desenvolvimento artístico e humano.

 

Além do TJMG, são parceiros do projeto o Conservatório de Música da UFMG, o Instituto Ajudar, a Associação Profissionalizante do Menor (Assprom), o Centro de Voluntariado de Apoio ao Menor (Cevam), a Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis), a Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Idoso da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Minas Gerais (OAB/MG), e as Escolas Municipal Ulysses Guimarães, Integrada PBH e Estadual Dona Augusta, que sediam duas turmas de canto coral, uma delas apadrinhada pela Paróquia Nossa Senhora Rainha.

 

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