Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
 

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29/11/2011 - Filósofo encerra curso para gestores

Renata Caldeira CURSO - O filósofo Clóvis Barros afirmou que os bons sentimentos devem ser sempre buscados
CURSO - O filósofo Clóvis Barros afirmou que os bons sentimentos devem ser sempre buscados

A confiança nas relações foi o tema que encerrou, nesta terça-feira, 29 de novembro, as atividades do curso que integra o Programa de Desenvolvimento Gerencial: Reflexões Contemporâneas. O curso é direcionado aos gestores da 1ª e da 2ª Instâncias do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O palestrante foi o filósofo e professor Clóvis Barros.

Na abertura, o 2º vice-presidente do TJMG e superintende da Escola Judicial Edésio Fernandes (Ejef), desembargador Herculano Rodrigues, lembrou o pensamento de santo Agostinho para reforçar a necessidade de todos os gestores buscarem sempre ampliar seus conhecimentos para reconhecer limites e potencialidades. O magistrado ressaltou que o conhecimento incorporado sempre traz motivação para realizações pessoais e profissionais.

O desembargador Herculano Rodrigues afirmou que o foco das ações deve ser o da superação de desafios e do combate à estagnação e ao comodismo. Como explicou, a Escola Judicial tem sido orientada para buscar o aperfeiçoamento de magistrados e servidores, e o curso que se encerrava pretendia mostrar aos gestores que metas podem ser superadas. “Os gestores não podem se acomodar, mas incomodar em torno do bem fazer e do bem querer, na busca do melhor.”

Amor

O professor Clóvis Barros começou sua palestra afirmando que os bons sentimentos devem ser estimulados para se viver bem. Como destacou, tais sentimentos foram entrincheirados na palavra amor, que é uma manifestação de nosso corpo para demonstrar nosso afeto e a contemplação de algo que admiramos. Contudo, há situações em que o amor passa a ser um sentimento escasso, e é nesse contexto que a moral deve regular o comportamento. “Como devemos agir se não amamos?”, provocou.

Clóvis Barros apresentou o conceito de amor difundido pelo filósofo Platão. “O amor só se manifesta quando há um desejo a ser experimentado. Quando não se deseja, não se ama mais”. Nesse sentido, o palestrante observou que, segundo a óptica de Platão, só podemos desejar na falta, e toda meta é o objeto do desejo.

O outro conceito abordado foi o idealizado por outro filósofo grego, Aristóteles. “Esse amor só se estabelece na conquista, na alegria daquilo que não falta mais. Nesse caso, a pessoa passa a viver numa zona de conforto, pois as metas já foram alcançadas, e o amor se manifesta na presença.” Clóvis Barros esclareceu que tanto o conceito de amor formulado por Platão quanto aquele apropriado por Aristóteles se complementam, já que, segundo o palestrante, é importante desejar e conquistar.

Nesse cenário, o professor apresentou um terceiro conceito de amor, que foi pregado por Jesus Cristo. “Trata-se da afeição pelo próximo. O eixo do sentimento se desloca para o amado, que passa a ser a excelência do afeto.” Clóvis Barros acentuou que, numa sociedade que tende para o egoísmo, a alegria do outro deveria ser compartilhada por todos.

“Quando você ama o outro incondicionalmente, todos têm a ganhar. Essa é a referência que deveria nortear nosso comportamento; contudo, quando esse amor claudica, a moral torna-se imprescindível para que a convivência entre pessoas seja mantida coesa”, disse o professor.

O palestrante afirmou que hoje, diante dos inúmeros avanços tecnológicos, acentua-se uma indecisão na escolha de qual opção se deve seguir: a sofisticação ou a simplicidade. “É nesse momento que devemos dar valor às escolhas. Atribuir valor implica ter uma referência. Os valores são imprescindíveis para as tomadas de decisão.”

Clóvis Rossi explicou que há situações em que surgem conflitos de interesse, e é nesse momento que o livre arbítrio deve se manifestar. Para ele, não há uma fórmula pronta para que todos sejam felizes o tempo todo. O ideal seria reduzir a complexidade dos valores para identificar o caminho a ser seguido para viver em harmonia.

“Eleger o que você gosta de fazer é o caminho mais próximo para a felicidade. Afinal, devemos ter em conta que tudo o que fazemos é para sermos felizes. Deixar de pensar que o melhor ainda está por vir. Entender que o que realmente vale é harmonizar os desejos. Estamos adestrados a escravizar nossa vida pela busca de algo que na verdade nem sabemos o que é. Alinhar e simplificar os desejos e aptidões e compartilhá-los com os outros é o que mais nos aproxima de uma qualidade de vida satisfatória. Desejar, conquistar e dividir, sempre”, concluiu.


Realização


Entre os presentes, estavam os desembargadores Osmando Almeida e José Antônio Braga e o juiz auxiliar da Corregedoria e diretor do Foro da comarca de Belo Horizonte, Renato César Jadim.

O Programa de Desenvolvimento Gerencial: Reflexões Contemporâneas é uma realização da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), através da Diretoria Executiva de Desenvolvimento de Pessoas (Dirdep), da Gerência de Formação Permanente (Gefop) e da Coordenação de Formação Permanente (Cofop). O curso cumpre as orientações do planejamento estratégico do TJMG e as diretrizes da Resolução 126 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que criou o plano nacional de capacitação de magistrados e servidores.

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Assessoria de Comunicação Institucional - Ascom
TJMG - Unidade Goiás
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ascom@tjmg.jus.br



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